Geometricamente desenhada do alto do castelo de São Jorge. Telhados linhas praças. Pássaros.
A névoa escondendo a ponte 25 de abril, vermelha-tímida sobre o Tejo.
O som dos sinos espalha-se. Dá pra ver o arco triunfal, e mais adiante, o cais.
Essa foi a paisagem da capital portuguesa que grudou na minha memória. Fiquei alí apenas dois dias – apenas o suficiente para morrer de amores pela cidade. O vento gelado passando por cima do castelo, os prédios desmanchando-se no horizonte nublado. Uns pingos raros de chuva já foram o suficiente: Lisboa got me on my knees. O rio. Mais ao fundo, o oceano que não dava pra ver, mas estava lá.
A casa estava.
Lisboa tem personalidade. No movimento de pessoas nas ruas do centro, no som do fado do meio da praça. Apesar de ter sido uma viagem um tanto quanto estabanada, cheia de tropeços, perdas pelas linhas do mapa, chuvas e caminhadas que se não tivessem sido a parte mais interessante do passeio poderiam ser chamadas de desnecessárias, foi a viagem que eu mais curti até agora. Lisboa compensa os calos nos pés.
A Baixa, o Bairro Alto, o Chiado, a Alfama, o centro e o mar são ótimos motivos para se ter os tais calos nos pés.
Não tirei fotos, ainda não arrumei a minha câmera. Mas pra mim, não foi ruim. Pude experienciar a cidade de forma mais multisensorial. Levei meu gravador e agora tenho guardado o ruído do rio Tejo, quando ele se encontra com o Atlântico na torre de Belém. O coro do Mosteiro dos Jerônimos. O fado de estudantes no meio da rua. As vozes espanholas e argentinas dos companheiros de viagem lendo o guia escrito em português do Brasil. A minha própria risada.
Pena que não sei postar sons aqui, se não eu mostrava as minhas “fotos sonoras de Lisboa”.
Pena que eu não posso postar Lisboa inteira no Latitude Norte.
Fica na lembrança, nos olhos, nos ouvidos, no paladar. No que eu puder contar.
(Em breve o capítulo Sintra, a segunda paisagem mais bonita que eu já vi, e mais um pouco sobre Lisboa – de maneira menos piegas. Se eu conseguir não ser piegas, hehe)
nada de piegas!
queria saber contar minhas viagens desse jeito que voce conta!
Eu quero escutar tua risada!